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1º ano do EM – A socialização

18 de maio de 2010 8 comentários

No 1º bimestre, na aula intitulada “O homem é um ser social”, ficamos sabendo que, o homem, tal como o conhecemos, só se estabelece como homem quando vive juntos aos seus pares. Veremos agora outro ponto fundamental: O homem é um ser “histórico”. A história humana pode se estabelecer em dois planos fundamentais: sua história particular e a história do grupo no qual ele está inserido. Vamos refletir acerca das perguntas do Caderno do Aluno, pg. 3:

Todos nós somos capazes, ou ao menos deveríamos ser, de percebermos como nos relacionamos com os outros, seja pela nossa vivência no mesmo bairro ou cidade, pela língua, ou até pelos momentos históricos que já vivenciamos desde o dia do nosso nascimento. Nas últimas 2 décadas, o Brasil ganhou duas copas mundiais de futebol, já tivemos duas moedas (cruzeiro real e o real), o mundo já passou pelo fim da União Soviética, pela guerra do Kosovo, do Afeganistão, do Golfo Pérsico, e hoje passa pela guerra do Iraque. Um dos fatos mais relevantes é o que ocorreu em 11 de setembro de 2001: Com a derrubada as torres do World Trade Center, em Nova Iorque, nos EUA, o mundo passou a olhar de maneira preocupada para o crescimento do extremismo religioso. Mas além desses grandes fatos, quais outros, particulares, estão relacionados com nossas vidas?

Quanto aos vídeos: O vídeo sobre o a Guerra do Golfo e sobre o atentado de 11 de setembro falam dos presidentes “George Bush”. Na Guerra do Golfo, o presidente era George Herbert Walker Bush (Bush Senior). Na época do atentado, o presidente era George Walker Bush (Bush Junior).

QUEM SOMO NÓS?

Lembrar o que aconteceu desde o dia do nascimento até o momento presente (perguntando aos nosso país, tios, irmãos mais velhos) possibilita pensar também deste momento para além: Estamos inseridos na história e, se quisermos, podemos ajudar a construí-la de forma ativa.

Os fatos mais comuns que ocorrem em nossas vidas, pensando na juventude, seriam: mudança de residência, de bairro, de cidade, de estado; mudança de da pré-escola para a escola ou mudança de escola por ter que se mudar de cidade. Estas mudanças são marcantes em qualquer fase da vida pelos amigos que deixamos e a necessidade de conquistarmos novos. Todas essas coisas são parte de nossa história. No aspecto educação, podemos ampliar nossa perspectiva, pensando por que nos estudamos. As três respostas mais recorrentes são: porque é necessário para ter um bom emprego; porque é importante ter conhecimento para a vida e; porque é obrigatório. A terceira resposta é a mais perigosa, pois carrega em si a incapacidade de entender qual a importância, como pessoa e profissional, que tem o conhecimento que se pode adquirir através da educação, mesmo porque, além de uma imposição, a educação é, como direito universal, muito recente, negado há várias gerações.

Tomando com base o texto de CHAMOUX (2003), pgs 4-5 do Caderno do Aluno, podemos ver uma situação recorrente até hoje: o ensino privado. Uma educação que, no caso dos atenienses, era direcionada apenas para os filhos dos cidadãos, sendo vetado às meninas, servos e estrangeiros. No caso brasileiro, a educação universal pública é recente, tendo um maior impulso após 1980 e ainda apresentando grande déficit de vagas aos alunos na faixa de 0-4 anos e nas séries do ensino médio. Antes disso, as pessoas mais pobres buscavam frequentemente bolsas de estudo em colégios particulares, o que mostrava a falta de vagas para todas as crianças, produzindo uma grande taxa de analfabetos no Brasil.

O QUE APRENDEMOS

Nosso desenvolvimento intelectual, assim como nós, se dá através do tempo. Pensando na nossa infância, podemos nos recordar de algumas pessoas que foram muito importantes quando ainda nem tínhamos entrado para escola: pais, tios, irmãos mais velhos, vizinhos, avós, etc. Nesse momento, algumas dessas pessoas, se não todas, auxiliaram nos nossos primeiros passos, primeiras palavras, primeiras brincadeiras. Algumas brincadeiras, às vezes, são aprendidas também com amigos da mesma idade. Na infância, muitas das conquistas são simples, mas essenciais para o nosso desenvolvimento: a fala, a coordenação motora, a participação em grupos. Por mais que algumas coisas, como estas ou as brincadeiras, tenham parecido sair da imaginação ou criadas naturalmente, todas elas se dão através da reprodução, em parte ou no todo, de brincadeiras ou ações já conhecidas por nós. Alguns exemplos são: as brincadeiras de boneca, de “polícia e ladrão”, futebol, entre outras. As regras dessas brincadeiras são deliberadas pelo grupo, e as interpretações são reproduzidas da experiência de cada um. No caso da brincadeira “polícia e ladrão”, após o lançamento do filme “Tropa de Elite”, começou a haver crianças tentando ser o policial do BOPE, e não um policial convencional, assim como ocorrer com a “pedalada”, inventada pelo jogador Robinho, que não era usada nas partidas de futebol porque não se conhecia a técnica.

Aprender a linguagem, as formas e regras de convivência, constitui o que denominamos Socialização, que é o processo passado, fase por fase, por todos. Essa Socialização seria a imersão de cada um em um “mundo vivido”, constituído de um “universo simbólico e cultural” e um “saber sobre este mundo”. A criança nasce sem essa Socialização, que será adquirida aos poucos e possibilitará que essa criança se insira como membro da sociedade.

Para o início da Socialização, os adultos serão muito importantes, pois formarão o que se denomina “aprendizado da socialização primária”: aprender a tomar banho, a se vestir sozinha, executar tarefas domésticas, reproduções daquilo que a crianças vêem ou ouvem das pessoas mais velhas, como os próprios pais. Esse aprendizado normalmente se dá entre os 0-5 anos de idade, mas pode variar de acordo com a própria pessoa, pois ela precisa entender que faz parte de um mundo muito maior do que aquele formado pelas pessoas que fazem parte do seu meio familiar para sair desse aprendizado e passar para o próximo estágio.

COMO PENSAMOS

A Socialização nunca termina. No próximo estágio a criança começa a participar de uma esfera de socialização muito mais ampla, na qual se insere normalmente o espaço escolar. Este espaço pode ter maior impacto se acriança não teve contato anterior com a pré-escola e menor se ela já teve, e ambos se diferem do ambiente familiar no qual a criança já estava acostumada, pois agora esta criança entrará em contato com novos colegas, com professores, com atividades pedagógicas, além de muitos conflitos que ela pode não ter sido preparada.

A mudança pelo contato com o ambiente escolar será um dos muitos possíveis, possibilitando inúmeras modificações em nossa vida. Outros casos – como o nascimento ou a morte de parentes, casamentos ou divórcios, viagens ou mudanças de residência -, também modificam nossa vida ainda no ambiente familiar. O passar do tempo cria novos desejos, novas idéias, que se complementam ou substituem as antigas: brincadeiras que não tem mais graça, novas amizades, vontade de se vesti diferente, de ouvir músicas diferentes. Esses outros contatos com novos espaços de Socialização modificam as características que adquirimos com nossos familiares, às vezes modificando as relações que já tínhamos com a nossa família. Esse processo chama-se “Socialização secundária”, que passamos muitas vezes na vida, na medida que entramos em contato com novos espaços interagimos com novos conhecimentos para lidarmos com essas novas realidades, que podem ou não entrar em conflito com a aprendizagem que adquirimos anteriormente, trazendo durante a vida, experiências positivas ou negativas.

Pontos fundamentais desta aula:

  • O homem só se constitui com tal se ele vive entre outros homens;
  • O homem é um ser que está relacionado diretamente a história, seja a sua própria ou a do grupo que está inserido;
  • A história do nosso grupo também nos afeta e à nossa história particular;
  • A realidade na qual estamos inseridos também é historicamente construída, vide o fato de que a educação não foi sempre um direito, principalmente para as mulheres;
  • Nossas capacidades como pessoas são aprendidas ao longo da nossa vida, sendo que os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento dos anos seguintes;
  • Os adultos, indivíduos que já passaram pelo processo de Socialização primário, são os responsáveis por nos inserir neste mesmo processo quando somos crianças;
  • A Socialização é um processo que se inicia, mas nunca termina;
  • As experiências no vários espaços de socialização podem ser conflitantes durante a vida, e modificam nossa forma de ver a realidade.

Pergunta:

Explique a seguinte afirmação (5 linhas): “A socialização primária é a primeira socialização que o indivíduo experimenta na infância, e em virtude da qual torna-se membro da sociedade.” BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas,  A construção social da realidade, Petrópolis: Vozes, 2008, p. 175. (Enviar resposta até o dia 29/05/2010, às 22:00).

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1º ano do EM – A sociologia e o trabalho do sociólogo

3 de abril de 2010 3 comentários

Senso Comum

Olhar Científico

  • A situação “é porque é” – (fato natural).

Perspectiva acerca do linchamento:

O linchamento é uma agressão a um criminoso;

Linchar é “fazer justiça pelas próprias mãos”.

  • Se um fato ocorre no meio social, possível-mente ele tem caráter social e só poderá ser entendido se entendermos sua relação com o meio social.

Perspectiva acerca do linchamento:

O linchamento é um fenômeno social;

O linchamento é entendido para quem o faz como um bem feito para a sociedade, apesar de ser um crime.

Acerca do estudo sobre linchamento:

Entende-se que o linchamento é uma relação que se dá entre um indivíduo deslocado da sociedade e a sociedade em si. Neste momento, o indivíduo transgressor, o “criminoso”, passa a ser discriminado, porém, para a sociedade agredir o transgressor, deve ser haver uma ação coletiva. De acordo com José de Souza Martins, a referência social frágil da grande parcela da população seria o primeiro passo para se haver o linchamento. Assim, essa mesma sociedade acredita, olhando para o caso do Brasil, que o sistema judiciário não punirá o criminoso como este merece – e não pune mesmo, já que não é essa a sua missão -, seja por um Estado fraco, seja por leis muito frágeis. À partir disso, a sociedade assume a posição do Estado com o intuito de “fazer justiça”. O método de punição é retrógrado, como o que ocorria na Idade Média: violência com o intuito de ferir até a morte, se necessária.

O Estado assumiu a perspectiva dos intelectuais dos séculos do Iluminismo: Deve-se resguardar os direitos individuais dos indivíduos, inclusive o da vida. Para que esses direitos possam coexistir com o sistema punitivo do Estado, este tem que possibilitar que o criminosos volte ao seio da sociedade através de uma sistema que o reabilite. No caso do Brasil e em outros locais do mundo é que entra a contradição: O que alguns grupos da sociedade acreditam como crime e como justiça não precisa estar resguardado pelo Estado.

O Olhar Científico:

Partindo da análise do estudo sobre linchamento, podemos olhar para outros fenômenos sociais: O que é religião? O que é violência? O que é o suicídio?

Dentre os inúmeros fenômenos sociais, os pontos fundamentais no estudo dos casos são a fuga da superficialidade e do imediatismo na busca de uma resposta, além da racionalidade sem preconceitos, uma metodologia neutra, que possibilite atingir uma verdade ou um entendimento do objeto de estudo. Este é o ponto fundamental para uma conclusão muito mais sofisticada que os “achismos” que estão difundidos pelas mídias. Isto que deve ser lembrado em todos os estudos feitos, pois assim é possível manter a busca por outros pontos de vista e chegar a uma conclusão ou ao menos a uma crítica sobre as informações que chegam até nós.

Momento histórico do surgimento da Sociologia:

A Sociologia surge como ciência em um momento em que as grandes transformações sociais – êxodo rural, revolução industrial e crescimento das cidades – fazia parte da realidade de uma grande maioria da população na Europa e EUA. Essa mesma modificação que para as classes dirigentes se mostrava necessário para o desenvolvimento, para a população, de um modo geral, tudo parecia uma grande desorganização que afetava diretamente os parâmetros entendidos como necessários para qualquer sociedade. Dentre algumas mudanças dessa nova realidade está a energia elétrica: Um artigo que hoje é indispensável para a sociedade já foi, há quase dois séculos, uma tecnologia das mais instigantes e avanças. Na cidade, enquanto as velas ainda impossibilitavam que o dia perdurasse por mais que algumas poucas horas após o crepúsculo, a energia elétrica poderia produzir luz artificial nas outras 12 horas que não haveria sol. Assim, as indústrias passavam a ter 24 horas ininterruptas de trabalho humano, que até então estava acostumado a acordar com o nascer do sol e ir dormir pouco tempo depois do sol se pôr. Além dessa mudança, a produção no campo passava acumular nas mãos de poucos produtores de lã todas as grandes terras da Inglaterra – berço da Revolução Industrial -, o que induziu que grandes contingentes humanos se deslocassem para a cidade para trabalhar. Além desse monopólio, outro motivo que levou o êxodo rural foi a busca de maior liberdade que os centros urbanos possibilitavam as pessoas que ainda vivam sob a ótica de um mundo puramente conservador, atrelada a uma moral milenar. Todas essas características revolucionaram a sociedade, para o bem e para o mal. Nessa perspectiva de caos, Augusto Comte pensa em uma ciência que deveria dar conta dessas novas demandas de reorganização social desta nova sociedade ainda entendida como desorganizada.

Mesclando conceitos da Psicologia, Economia, Filosofia da História e Ética, Comte começou a dar os primeiros passos para a constituição de uma ciência autônoma: a Sociologia. Inicialmente, a Sociologia deveria entender os novos fenômenos, e como resposta, explicou que nenhum fenômeno dentro de uma sociedade era natural ou espiritual, advindo de outras esferas que não do meio desta sociedade. Apesar disso, os vários estudiosos que se voltaram aos estudos sociológicos começaram a divergir nos métodos de análise, bem como em algumas conclusões. Cada autor, à partir de um determinado enfoque – econômico (Marx), histórico e causal (Weber), interação e integração entre os indivíduos (Durkheim), entre outros – chega a uma determinada conclusão. Esse é o grande problema dos estudos sobre a sociedade: Ela é muito complexa para simplesmente olharmos como se fosse possível entendê-la em partes e/ou fora de um contexto histórico.

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1º ano do EM – O homem é um ser social

7 de março de 2010 12 comentários

Homens sempre viveram em grupos sociais. Por mais simples que fossem estes grupos – uma família, uma aldeia, um vilarejo – havia uma organização social. Em todos os casos, as organizações possuiam um homem ou uma mulher como lider (patriarcado e matriarcado, respectivamente), porém, a grande maioria foram lideradas por homens, forçando em quase todos os casos as mulheres à submissão.

Seria ingenuidade e ignorância de qualquer cientista social acreditar que a organização social humana não tem uma relação direta com sua própria evolução biológica. Encontramos vários outros primatas que também vivem em grupos onde um macho lidera. Este macho chamamos de macho alfa. Tabém seria ignorância em acreditar tabém que só a biologia constitui o que é a nossa organização social como humanos. Além de um ou mais indivíduos que comandam as organizações sociais, temos a cultura ligada a essa organização: idioma, modos de vestir, agir, vestimentas, rituais, leis, etc. Assim, nos tornamos muito mais complexos que outros animais.

Robinson Crusoé e a necessidade de vivermos em grupo

Vamos olhar para o caso do livro “Robinson Crusoé – A conquista do mundo numa ilha”. Robinson Crusoé viveu 4 anos em uma ilha do Caribe (ou 28 anos, cada lugar que eu leio tem uma história diferente). Enfatizo que os aspectos mais relevantes não são o tempo que ele viveu na ilha ou como ele encontrou Friday (o Sexta-Feira), mas sim a situação na qual ele se encontrou: sozinho. No livro, ele organiza para si uma corte formada por animais domésticos e da ilha. Assim, voltamos a uma primeira situação a qual é inerente a existência humana: viver numa organização social. Existem alguns casos de crianças que viveram muito tempo com outros animais e, por isso, adquiriram as características destes animais. Nestes casos, o que podemos supor é que essas crianças copiavam seus “pais”, pois não seria possível entender como algo instintivo. Podemos concluir que nós também nos copiamos. Essa cópia , essa interação é o que nos constitui, é o que constitui aquilo que chamamos de EU. O nosso Eu é formado pelas relações sociais que formamos desde o nascimento e através do reconhecimento pelos outros de nossa humanidade. Neste caso, encontramos também a relação entre Chuck Noland e Wilson no filme Naufrago: Chuck “humaniza” a bola de volei para interagir como ela como se esta fosse um ser humano. Um caso citado pelo meu irmão hoje e vem bem a calhar é a relação que Robert Neville (Will Smith), no filme “Eu sou a lenda”, tem com os manequins espalhados pela cidade e com a cadela Sam,  além do fato dele todos os dia avisar, via rádio que estará esperando sempre no mesmo lugar da ilha qualquer pessoa que esteja o ouvindo via rádio. Esta busca incessante por uma outra pessoa chega ao extremo da necessidade de um ser humano interagir com outro. A morte de Sam mostra a relação intensa que Robert tem com a cadela (um ser “humanizado” também): Robert ataca os zumbis do filme que mataram a cadela sem se procupar se vai morrer ou não. E quando ele encontra outras pessoas, já não se lembra mais como deveria se portar.

Filmes em que humanos vivem juntos a animais ou isolados: “Greystoke – A lenda de Tarzan”, “Mogli – O livro da Floresta”, “Nell”, “O enigma de Kaspar Hauser”. Quem quiser matar a curiosidade sobre o assunto, há uma matéria no site Aventuras na História sobre isso.

Para concluir, gostaria de enfatizar a questão do Eu: Quando falamos de pessoas que viveram longe de outras pessoas, o Eu não é constituido como acontece com qualquer um de nós que vivem numa sociedade. O Eu é um processo que se constitui através da interação entre pessoas, e começa desde o primeiro momento do nascimento até o dia da morte. E da mesma maneira que essa interação nos constitui, nossa interações também possibilitam a constituição do Eu em outras pessoas.

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1º ano do EM – O processo de desnaturalização ou estranhamento da realidade

20 de fevereiro de 2010 30 comentários

Olá pessoal,

A primeira pergunta que surge na disciplina de Sociologia para o 1º ano é: O que é a Sociologia? A sociologia é a ciência que estuda a sociedade os fenômenos sociais. Para entendermos melhor o que a Sociologia  vai se propor a ensinar, devemos olhar de forma mais ampla onde ela vai se enquandrar. O nome Sociologia não expressa a amplitude da disciplina no Ensino Médio, mas sim o nome Ciências Sociais, que abrange, além da Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política.

A sociologia tem cerca de 2 séculos, idealizada por filósofos, como Augusto Comte, que queriam estruturar uma ciência que pudesse dar explicação sobre fenômenos que estes acreditavam não mais serem possíveis sere dados pela filosofia. Assim, ela vem se aperfeiçoando desde então, com nomes famosos como Émile Durkheim, Max Weber, Karl Marx, os famosos “Três Porquinhos”.

Este é um pequeno momento histórico da Sociologia no país:

  • A sociologia como disciplina surge no Brasil em 1925, introduzida na Reforma Rocha Vaz. Então, assim como disciplina do Ensino Secundário, ela também passa a ser cobrada nos vestibulares da época. Entretanto, Rui Barbosa defendia a colocação da disciplina desde 1882, quando já era muito relevante no ensino em países europeus;
  • Em 1942, Getúlio Vargas, na época ditador no país, torna a disciplina optativa. A disciplina se mantém no Curso Normal como Sociologia Geral e Sociologia da Educação;
  • No ano de 1971, na época da Ditadura, a disciplina, ainda optativa, era mal-vista por ser entendida como associada ao comunismo – a ideologia política a qual os militares afirmavam que deveriam impedir que se alastrasse no Brasil quando tomaram o poder em 1964.

Nas ultimas 3 décadas, com o enfraquecimento da ditadura, os sociológos se voltaram para a necessidade de novamente implementar este campo do conhecimento na educação dos jovens no país. Entretanto, houve um impasse de todas as maneiras. Assim, desde a implementação da lei que inseria novamente a sociologia no Ensino Médio até a sua implementação no estado de São Paulo, foram 5 anos. Assim, o ano de 2010 é o segundo ano onde a sociologia se mostra como uma nova ferramenta na formação intelectual, politica e social dos jovens paulistas.

Um aspecto interessante, e possivelmente o mais importante desta disciplina, é a ferramenta de trabalho dos cientistas sociais: o olhar desnaturalizado em detrimento do senso comum. Muitas das idéias que se difundem do nosso dia-a-dia são condicionadas com idéias absurdas que não ajudam a entender fenômenos e nem problemas sociais/políticos/culturais. Assim, quando olhamos para uma determinada situação sob uma ótica crítica, possibilitamos entender suas nuances e mudarmos caso esta se mostre perniciosa.

Imediatismo do olhar

Para todas as coisas que temos contato, desde as mais comuns quanto as mais imprevisíveis, tentamos encontrar uma explicação. Assim, baseados no cabedal que acuulamos durante a vida, damos respostas as nossas indagações. Existe algum problema nisso? Depende. Na maioria dos casos, sim. Aquilo que chamamos de olhar científico possibilita uma nova ferramenta para se avaliar todas as coisas que nos rodeiam, mesmo sabendo que todos nós, sem exceção, estamos carregados de senso comum. Essa ferramenta tem uma base puramente racional, e, como tal, procura se distanciar ao máximo de todas as possíveis idéias preconcebidas de quem está trabalhando com ela. É um trabalho moroso, mas recompesador, uma vez que possibilita, dentre outras coisas, derrubar dogmas e preconceitos nocivos.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, não entendiam quam eram aqueles serem nus, sem maldade no olhar, nem as árvores, os frutos, os animais. Assim, nas primeiras cartas, os navegantes tentavam explicar toda a riqueza da “Terra de Santa Cruz”: O que era uma manga, jabuticaba ou babaçu? Como descrever algo que além-mar ninguém nunca viu. Tentaram resolver esse problema comparando com aquilo que já haviam visto, seja com animais, com plantas. Neste mesmo caso, animais fantásticos, como o unicórnio, pode ter sido apenas um erro e ignorância: Alguns creem que pode ter sido apenas um cervo com alguma alteração genética. E como “quem conta um conto, aumenta um ponto”, todas as características místicas podem ter surgido através de boatos.

Tudo isso está respaldado naquele tal cabedal, o qual chamados de senso comum. As bases do senso comum seriam:

Imediatismo: o senso comum se caracteriza muitas vezes por ser simplista, ou seja, muitas vezes não e fruto de uma reflexão mais cuidadosa. Não se preocupa em definir nada muito bem, não tem, portanto, preocupação com a terminologia (ou seja, o significado das palavras) que emprega.

Superficialidade: a superficialidade dessa forma de conhecimento está relacionada com o fato de que ele se conforma com a aparência, “com aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas: ‘porque vi’, ‘porque senti’, ‘porque disseram’, ‘porque todo mundo diz’.” (ANDER-EGG apud MARCONI e LAKATOS, 2003, p. 77)

Acriticidade: outra característica é o fato do senso comum ser, muitas vezes, uma forma de conhecimento que não aprofunda sobre que se vê, não avaliando, criticando ou questionando o que é dito.

Sentimentalismo: muitas vezes nossa visão da realidade é excessivamente marcada pelas nossas emoções normalmente tiram a objetividade da pessoa, pois são pessoais e não estão baseadas na razão. Elas podem fazer com que ajamos de forma irracional.

Preconceito: o senso comum é muitas vezes repleto de preconceitos. O preconceito é atitude de achar que já sabe, sem conhecer algo de verdade, pois usa explicações prontas que estão repletas de juízos de valor. Portanto, a atitude preconceituosa com relação à realidade e a tudo o que a cerca é aquela da pessoa que julga sem conhecer, com base no que acredita que é ou no que deva ser.

Esta suástica acima foi usada para trabalhar a idéia de senso comum com algumas turmas, até que uma colega do 1º J do EE Gal. Porphyrio da Paz citou esta tatuagem do Marcelo Dourado. Ela já fomentou algumas discussões até mesmo dentro os judeus, um caso muito estranho e que possivelmente está carregado de sentimentos destes mesmo judeus.

Para os pesquisadores de simbolos, tudo isso ficou bem claro: existem suásticas e suásticas. Mas e para as outras pessoas que nunca tiveram acesso a estes resultados. Espero que vocês possam aproveitar esse conhecimento.

Pergunta:

Se o olhar científico utilizado na sociologia é tão positivo para se analisar a realidade, por que a sociologia, no período da ditadura, foi considerado subversivo (e, por isso, crime)? (Resposta vai valer 0,2)

Respondam até o dia 06/03/2010, às 22:00.

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