1º ano do EM – A sociologia e o trabalho do sociólogo

3 de abril de 2010 3 comentários

Senso Comum

Olhar Científico

  • A situação “é porque é” – (fato natural).

Perspectiva acerca do linchamento:

O linchamento é uma agressão a um criminoso;

Linchar é “fazer justiça pelas próprias mãos”.

  • Se um fato ocorre no meio social, possível-mente ele tem caráter social e só poderá ser entendido se entendermos sua relação com o meio social.

Perspectiva acerca do linchamento:

O linchamento é um fenômeno social;

O linchamento é entendido para quem o faz como um bem feito para a sociedade, apesar de ser um crime.

Acerca do estudo sobre linchamento:

Entende-se que o linchamento é uma relação que se dá entre um indivíduo deslocado da sociedade e a sociedade em si. Neste momento, o indivíduo transgressor, o “criminoso”, passa a ser discriminado, porém, para a sociedade agredir o transgressor, deve ser haver uma ação coletiva. De acordo com José de Souza Martins, a referência social frágil da grande parcela da população seria o primeiro passo para se haver o linchamento. Assim, essa mesma sociedade acredita, olhando para o caso do Brasil, que o sistema judiciário não punirá o criminoso como este merece – e não pune mesmo, já que não é essa a sua missão -, seja por um Estado fraco, seja por leis muito frágeis. À partir disso, a sociedade assume a posição do Estado com o intuito de “fazer justiça”. O método de punição é retrógrado, como o que ocorria na Idade Média: violência com o intuito de ferir até a morte, se necessária.

O Estado assumiu a perspectiva dos intelectuais dos séculos do Iluminismo: Deve-se resguardar os direitos individuais dos indivíduos, inclusive o da vida. Para que esses direitos possam coexistir com o sistema punitivo do Estado, este tem que possibilitar que o criminosos volte ao seio da sociedade através de uma sistema que o reabilite. No caso do Brasil e em outros locais do mundo é que entra a contradição: O que alguns grupos da sociedade acreditam como crime e como justiça não precisa estar resguardado pelo Estado.

O Olhar Científico:

Partindo da análise do estudo sobre linchamento, podemos olhar para outros fenômenos sociais: O que é religião? O que é violência? O que é o suicídio?

Dentre os inúmeros fenômenos sociais, os pontos fundamentais no estudo dos casos são a fuga da superficialidade e do imediatismo na busca de uma resposta, além da racionalidade sem preconceitos, uma metodologia neutra, que possibilite atingir uma verdade ou um entendimento do objeto de estudo. Este é o ponto fundamental para uma conclusão muito mais sofisticada que os “achismos” que estão difundidos pelas mídias. Isto que deve ser lembrado em todos os estudos feitos, pois assim é possível manter a busca por outros pontos de vista e chegar a uma conclusão ou ao menos a uma crítica sobre as informações que chegam até nós.

Momento histórico do surgimento da Sociologia:

A Sociologia surge como ciência em um momento em que as grandes transformações sociais – êxodo rural, revolução industrial e crescimento das cidades – fazia parte da realidade de uma grande maioria da população na Europa e EUA. Essa mesma modificação que para as classes dirigentes se mostrava necessário para o desenvolvimento, para a população, de um modo geral, tudo parecia uma grande desorganização que afetava diretamente os parâmetros entendidos como necessários para qualquer sociedade. Dentre algumas mudanças dessa nova realidade está a energia elétrica: Um artigo que hoje é indispensável para a sociedade já foi, há quase dois séculos, uma tecnologia das mais instigantes e avanças. Na cidade, enquanto as velas ainda impossibilitavam que o dia perdurasse por mais que algumas poucas horas após o crepúsculo, a energia elétrica poderia produzir luz artificial nas outras 12 horas que não haveria sol. Assim, as indústrias passavam a ter 24 horas ininterruptas de trabalho humano, que até então estava acostumado a acordar com o nascer do sol e ir dormir pouco tempo depois do sol se pôr. Além dessa mudança, a produção no campo passava acumular nas mãos de poucos produtores de lã todas as grandes terras da Inglaterra – berço da Revolução Industrial -, o que induziu que grandes contingentes humanos se deslocassem para a cidade para trabalhar. Além desse monopólio, outro motivo que levou o êxodo rural foi a busca de maior liberdade que os centros urbanos possibilitavam as pessoas que ainda vivam sob a ótica de um mundo puramente conservador, atrelada a uma moral milenar. Todas essas características revolucionaram a sociedade, para o bem e para o mal. Nessa perspectiva de caos, Augusto Comte pensa em uma ciência que deveria dar conta dessas novas demandas de reorganização social desta nova sociedade ainda entendida como desorganizada.

Mesclando conceitos da Psicologia, Economia, Filosofia da História e Ética, Comte começou a dar os primeiros passos para a constituição de uma ciência autônoma: a Sociologia. Inicialmente, a Sociologia deveria entender os novos fenômenos, e como resposta, explicou que nenhum fenômeno dentro de uma sociedade era natural ou espiritual, advindo de outras esferas que não do meio desta sociedade. Apesar disso, os vários estudiosos que se voltaram aos estudos sociológicos começaram a divergir nos métodos de análise, bem como em algumas conclusões. Cada autor, à partir de um determinado enfoque – econômico (Marx), histórico e causal (Weber), interação e integração entre os indivíduos (Durkheim), entre outros – chega a uma determinada conclusão. Esse é o grande problema dos estudos sobre a sociedade: Ela é muito complexa para simplesmente olharmos como se fosse possível entendê-la em partes e/ou fora de um contexto histórico.

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Turmas que não poderão mais sair da sala

22 de março de 2010 Deixe um comentário

Pessoal,

Em decorrência do que houve 12/03 e no dia 22/03, os alunos das turmas 1°I e 2°C (Porphyrio) não terão mais o direito de sair na aula de sociologia. Não voltarei atrás com a medida até que as turmas apresentem melhora em relação a disciplina e respeito em sala. Lembrem-se que não foi um erro da sala toda, mas como já havia dito, “todos pagam pelo erro (grave) de um”.

Prof. Leandro

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2º ano do EM – O estrangeiro sob o ponto de vista sociológico

7 de março de 2010 6 comentários

Se alguém faz uma análise mais aprofundada sobre si próprio, perceberá que não é uma pessoa deslocada de seu tempo, assim como não é deslocada de suas origens. Para muitos, a origem de seus antepassados é totalmente brasileira, mas para outros, ela se dá através da mudança de familiares para cá como imgrantes.

No século XIX começaram a chegar muitos imigrantes, principalmente da Europa, para substituirem os escravos na lavouras, por causa do fim do tráfico negreiro. Outros motivos foram: os donos de fazendas não queriam pagar salários para ex-escravos e havia uma política que buscava o clareamento da população.  De italianos, ao contrário do que eu disse para algumas turmas, chegaram ao Brasil aproximadamente 1,5 milhão de italianos.  Destes vários imigrantes – onde se enquadram também os alemães, poloneses, ucranianos, japoneses, chineses, espanhóis, sirio-libaneses, armênios, coreanos – alguns se espalharam co suas famílias e outros se organizaram em colonias ou vilas. Os grupos que se mantiveram unidos até hoje conseguiram resguardar a cultura de seus antepassados, ao contrário de outros indivíduos que simplesmente se misturaram ao resot da população brasileira. Assim, encontramos colônias japonesas espalhadas pelo Brasil, assim como bairros com grupos de descendentes de grupos de imigrantes predominantes ou até cidades fundadas por grupos de imigrantes, como por exemplo: as cidades de Americana e Holambra (de origem estadunidense e holandesa, respectivamente), e os bairros da Moóca, do Bexiga e da Liberdade, na cidade de São Paulo (sendo os dois primeiros de origem italiana e o outro de origem japonesa). Nestes lugares, a cultura pode ser vista nos estabelecimetos comerciais, no dialeto e nas festas tradicionais.

O que ainda é muito visível, independente de onde se esteja, é o caso do fenômeno dos dekasseguis – com um grande aumento na quantidade de descendentes de japoneses que vão para o Japão trabalhar – e, ainda sobre os nisseis e sanseis, o fato de muitos andarem em grupos formados por outros descendentes de japoneses. Isto se dá pela força da cultura que faz com que os seus pais sejam muito rígidos na formação dos filhos, até mesmo sobre os seus relacionamentos.

Uma curiosidade: O “Moinho de Holambra” funciona como os moinhos holandeses, não sendo meramente um enfeite.

O estrangeiro sob a ótica de Georg Simmel

Temos na toeria de Georg Simmel uma distinção entre o vinajante e o estrangeiro. Mesmo usando corriqueiramente estrangeiro como todo e qualquer indivíduo que não seja do país do qual estamos olhando. Neste caso, Simmel estabelece aqueles que viajam, mas não se estabelecem (viajantes), e os que viajam para se estabelecer no local de destino (estrangeiro). Assim, não é necessário que essa pessoa tenha vindo de outro país, mas sim de qualquer lugar, longe ou perto do local de destino. O estrangeiro se destaca dos outros integrantes do local de destino por suas particularidades: cultural, idioma, características físicas. Por estes mesmos motivos, ele nunca se insere totalmente no grupo, às vezes, nem os seus descendentes. A relação que se dá entre os estrangeiros e os habitantes locais sempre se configura na relação de amizade entre aluns membros deste grupo, mas de um distanciamento e desprezo, por ambas as partes, quando se olha a relação com o grupo por suas diferenças.

Daí surge a pergunta: Por que o indivíduo imigra?

Como afirmam os textos das páginas 21-22 e 23, um primeiro movimento é o da impossibilidade dos imigrantes, dando destaque para aqueles que vieram para o Brasil, de se manterem nas suas terras pelos custos de produção e de impostos; por não conseguirem pagar suas dívidas contraídas; não poderem sustentar suas famílias em suas terras e; por não conseguirem comprar uma porção de terra quando buscava constituir família. O segundo movimento ocorre nas cidades: Aqueles que saem do campo aumentam vertiginosamente o quadro de mão-de-obra na indústria, que não consegue ser absorvido ou passa a ter que aceitar subempregos para poderem sobreviver. O terceiro e último movimento é a sedução que muitos passaram a receber com propagandas sobre fazer a vida na América: Muitos acreditavam que na América teriam a possibilidade de terem terras, fazerem fortuna com pouco trabalho, ou ao menos fazerem fortuna.

Depois que o fenômeno imigratório cessou, os imigrantes tiveram inúmeros resultados para não voltarem, mesmo depois da estabilidade econômica na Europa e Japão, pós 1960:

  • Muitos não conseguiram enriquecer como as propagandas afirmavam. Mantinha-se a intenção de “fazer a América”;
  • Outros, ao contrário, enriqueceram ou se estabeleceram muito bem no país, não havendo motivos para volatrem para seus países de origem, correndo risco de ficarem pobres de novo;
  • Um outro grupo se estabeleceu no país, casando-se  aqui e constituindo família, além de perderem o contato com seus parentes de sua terra natal;
  • E havia o grupo de imigrantes que, ou achavam que o Brasil era um país melhor que o seu próprio; ou achavam que o seu país era muito ruim e, mesmo achando que o Brasil não era ótimo, ainda era melhor que a pátria mãe.
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1º ano do EM – O homem é um ser social

7 de março de 2010 12 comentários

Homens sempre viveram em grupos sociais. Por mais simples que fossem estes grupos – uma família, uma aldeia, um vilarejo – havia uma organização social. Em todos os casos, as organizações possuiam um homem ou uma mulher como lider (patriarcado e matriarcado, respectivamente), porém, a grande maioria foram lideradas por homens, forçando em quase todos os casos as mulheres à submissão.

Seria ingenuidade e ignorância de qualquer cientista social acreditar que a organização social humana não tem uma relação direta com sua própria evolução biológica. Encontramos vários outros primatas que também vivem em grupos onde um macho lidera. Este macho chamamos de macho alfa. Tabém seria ignorância em acreditar tabém que só a biologia constitui o que é a nossa organização social como humanos. Além de um ou mais indivíduos que comandam as organizações sociais, temos a cultura ligada a essa organização: idioma, modos de vestir, agir, vestimentas, rituais, leis, etc. Assim, nos tornamos muito mais complexos que outros animais.

Robinson Crusoé e a necessidade de vivermos em grupo

Vamos olhar para o caso do livro “Robinson Crusoé – A conquista do mundo numa ilha”. Robinson Crusoé viveu 4 anos em uma ilha do Caribe (ou 28 anos, cada lugar que eu leio tem uma história diferente). Enfatizo que os aspectos mais relevantes não são o tempo que ele viveu na ilha ou como ele encontrou Friday (o Sexta-Feira), mas sim a situação na qual ele se encontrou: sozinho. No livro, ele organiza para si uma corte formada por animais domésticos e da ilha. Assim, voltamos a uma primeira situação a qual é inerente a existência humana: viver numa organização social. Existem alguns casos de crianças que viveram muito tempo com outros animais e, por isso, adquiriram as características destes animais. Nestes casos, o que podemos supor é que essas crianças copiavam seus “pais”, pois não seria possível entender como algo instintivo. Podemos concluir que nós também nos copiamos. Essa cópia , essa interação é o que nos constitui, é o que constitui aquilo que chamamos de EU. O nosso Eu é formado pelas relações sociais que formamos desde o nascimento e através do reconhecimento pelos outros de nossa humanidade. Neste caso, encontramos também a relação entre Chuck Noland e Wilson no filme Naufrago: Chuck “humaniza” a bola de volei para interagir como ela como se esta fosse um ser humano. Um caso citado pelo meu irmão hoje e vem bem a calhar é a relação que Robert Neville (Will Smith), no filme “Eu sou a lenda”, tem com os manequins espalhados pela cidade e com a cadela Sam,  além do fato dele todos os dia avisar, via rádio que estará esperando sempre no mesmo lugar da ilha qualquer pessoa que esteja o ouvindo via rádio. Esta busca incessante por uma outra pessoa chega ao extremo da necessidade de um ser humano interagir com outro. A morte de Sam mostra a relação intensa que Robert tem com a cadela (um ser “humanizado” também): Robert ataca os zumbis do filme que mataram a cadela sem se procupar se vai morrer ou não. E quando ele encontra outras pessoas, já não se lembra mais como deveria se portar.

Filmes em que humanos vivem juntos a animais ou isolados: “Greystoke – A lenda de Tarzan”, “Mogli – O livro da Floresta”, “Nell”, “O enigma de Kaspar Hauser”. Quem quiser matar a curiosidade sobre o assunto, há uma matéria no site Aventuras na História sobre isso.

Para concluir, gostaria de enfatizar a questão do Eu: Quando falamos de pessoas que viveram longe de outras pessoas, o Eu não é constituido como acontece com qualquer um de nós que vivem numa sociedade. O Eu é um processo que se constitui através da interação entre pessoas, e começa desde o primeiro momento do nascimento até o dia da morte. E da mesma maneira que essa interação nos constitui, nossa interações também possibilitam a constituição do Eu em outras pessoas.

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Aonde estão vocês?

3 de março de 2010 5 comentários

Pessoal,

Venho percebendo uma grande frequência de acessos diários ao blog, mas recebi apenas uma resposta até agora. Vocês estão respondendo?

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3º ano do EM – A conquista dos direitos civis, políticos, sociais e humanos no Brasil

21 de fevereiro de 2010 Deixe um comentário

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes” – Constituição Federal Brasileira de 1988.

Podemos resumir que a cidadania “é o conjunto de direitos, e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive” (wikipedia). No que se refere aos direitos, seriam três tipos:

  • Direito político: direito de se eleger a cargos políticos e eleger quem quiser, etc;
  • Direito civil: direito de se locomover dentro de seus país, direito a vida, a liberdade, etc;
  • Direito social: Tipo mais moderno, agrupa os direitos a previdência social, a educação, a um sistema de saúde, etc;

Por mais óbvio que este artigo e os direitos do cidadão possam aparecer hoje para quem o ler, principalmente os nascidos nas últimas 3 décadas, para as pessoas mais velhas – seus pais, tios e avós – ao menos para uma pequena parcela, as coisas eram diferentes. Antes deles – seus bisavós e tataravós – as coisas foram mais desiguais ainda, principalmente para as mulheres e se este seu antepassado era índio ou negro.

Para introduzir o tema sobre cidadania, podemos olhar algo que deveria ter começado a ocorrer há um pouco mais de 1 século, ao menos à partir de 1888, de acordo com a intenção da lei áurea. Podemos deduzir que alguns senhores liberaram seus escravos antes desta data e outros provavelmente não liberaram seus escravos mesmo depois de saberem sobre  lei. Para qualquer um dos dois casos, os homens da lei ainda não estava preparados, por conta de séculos de escravidão, a ver os homens e mulheres negros e índios como iguais.

Nas brincadeiras, muitas vezes brutas, dos filhos de senhores de engenho, os moleques serviam para tudo: eram bois de carro, eram cavalos de montaria, eram bestas de almanjarras [que é uma moenda por tração animal], eram burros de liteiras e de cargas as mais pesadas. Mas principalmente cavalos de carro. Ainda hoje, nas zonas rurais menos invadidas pelo automóvel, onde velhos cabriolés de engenhos rodam pelo massapé mole [um tipo de terreno fértil], entre os canaviais, os meninos brancos brincam de carro de cavalo ‘com moleques e até molequinhas filhas das amas’ servindo de parelhas. Um barbante serve de rédea; um galho de goiabeira, de chicote.
FREYRE, Gilbeto, Casa-Grande & Senzala,  Global Editora, São Paulo, 2008, 51ª edição, pp. 419–420

As conseqüências da escravidão não atingiram apenas os negros. Do ponto de vista que aqui nos interessa – a formação do cidadão –, a escravidão afetou tanto o escravo como o senhor. Se o escravo não desenvolvia a consciência de seus direitos civis, o senhor tampouco o fazia. O senhor não admitia os direitos dos escravos e exigia privilégios para si próprio. Se um escravo estava abaixo da lei, [o senhor] se considerava acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis mas negada na prática.
CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2008, p. 53.

Educação e Cidadania

A construção de uma sociedade igualitária, que defenda os direitos e deveres de todos e equiparem todos as pessoas, independente de cor, etnia, gênero ou sexo, partido político, religião, não se dá simplesmente por imposição de leis, de “cima para baixo”, votadas e aplaudidas nas câmaras e senado, se no final, na aplicação, a lei “não pega”.  Podemos ver, abaixo, um caso tipico de lei que “não pegou” na sua época e demandou muitas lutas até ser considerava óbvia no senso comum.

As conseqüências da escravidão não atingiram apenas os negros. Do ponto de vista que aqui nos interessa – a formação do cidadão –, a escravidão afetou tanto o escravo como o senhor. Se o escravo não desenvolvia a consciência de seus direitos civis, o senhor tampouco o fazia. O senhor não admitia os direitos dos escravos e exigia privilégios para si próprio. Se um estava abaixo da lei, o outro se considerava acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis mais negada na prática
CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 53.

“(…) nos países em que a cidadania se desenvolveu com mais rapidez, inclusive na Inglaterra, por uma razão ou outra a educação popular foi introduzida. Foi ela que permitiu às pessoas tomarem conhecimento de seus direitos e se organizarem pata lutar por eles. A ausência de uma população educada tem sido sempre um dos principais obstáculos à construção da cidadania civil e política.
CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 11.

No final do século XIX, a grande maioria da população brasileira (cerca de 85%), incluindo muitos dos grandes proprietários de terras, era analfabeta e vivia em áreas rurais. Além disso, a população que vivia no campo estava submetida à influência dos senhores de terras, detentores de poderes políticos e os chamados ‘coronéis’. ‘As mulheres não votavam, e os escravos, naturalmente, não eram considerados cidadãos’.
CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 29-30.

O que podemos notar com os trechos acima: Que um processo de democracia deve estar estrututurado sobre a educação. Os ricos fazendeiros, por conta de anos e anos de escravidão, de desmandos e de controle político em suas regiões, entendiam que a lei poderia ser criada por eles, mas nunca contra eles. A ignorância sempre foi um caminho para a maldade, e com os negros da época, uma maldade sentida no corpo.

O fim do tráfico negreiro da África para o Brasil em 1850 só serviu para a demonstração do poder da Grã-Bretanha sobre o Império do Brasil, pois dentro do país o tráfico se manteve, com a venda de escravos de regiões em declínio econômico para as regiões em ascensão. Enquanto a França lutava por “Liberdade, Igualdade e Fraternidade“, e os ingleses viam a necessidade de uma sociedade alfabetizada para manter o seu poder, o Brasil mantinha intocável sua estrutura deficitária que impossibilitou o desenvolvimento do país no século que se seguiu. Isso só mudou com a implementação de incentivo a imigração, principalmente da Europa. Enquanto os escravos eram libertos, os fazendeiros – muitos que não aceitavam assalariar ex-escravos – passaram a aceitar imigrantes brancos assalariados. As políticas econômicas apenas ajudram a piorar a situação das classes menos desfavorecidas.

Após a proclamação da República, em 1889, a Constituição de 1891 definiu o cidadão brasileiro como: 1) todas as pessoas nascidas nos Brasil; 2) todos os filhos de pai e mãe brasileiros, mesmo ilegítimos, nascidos no exterior; 3) todos os filhos de pai brasileiro que estivessem morando fora; 4) todos os estrangeiros que viessem a estabelecer residência permanente; 5) todos os estrangeiros que viessem a casar e/ou ter filhos com brasileiros e residissem no Brasil ; 6) todos os estrangeiros naturalizados.
Disponível em: < HTTP://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91.htm >. Acesso em:  29 de outubro de 2008.

A Constituição de 1891 retirou do Estado a obrigação de fornecer educação primária população. Também estabeleceu o direito de votar a todos os cidadãos do sexo masculino maiores de 21 anos, exceto mendigos, os analfabetos, os soldados e os membros das ordens religiosas. É importante ressaltar que os direitos  de cidadão brasileiro eram suspensos em caso de ‘incapacidade física ou moral’ e por ‘condenação criminal, ou enquanto durassem seus efeitos’ e eram perdidos ‘por naturalização em país estrangeiro’ ou ‘aceitação de emprego ou pensão de Governo estrangeiro, sem licença do Poder Executivo federal’.
Disponível em: < HTTP://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91.htm >. Acesso em: 29 de outubro de 2008.

Analisando os dois trechos acima, o que podemos ver é: todos os imigrantes – maioria brancos – vinham para o Brasil como cidadãos brasileiros, enquanto os negros passaram séculos sem esse direito. E ainda para piorar, impediam que os ex-escravos estudassem, pois não era obrigação do governo dar-lhes educação. Muitas fazendas neste período possuiam escolas para seus trabalhadores, mas como muitos não eram nascidos no Brasil, a desigualdade se mantinha, impedindo que ex-escravos tivessem alfabetização, (e consequentemente) poder de voto. Para muitos, o direito de ser cidadão é impedido também porque estes terem se tornado mendigos ou ladrões.

Pergunta:

Qual a importância da abolição da escravidão e da educação na constituição de uma idéia de cidadão assim como consta no artigo 5º da Constituição Federal de 1988, a conhecida “Constituição Cidadã”? (É necessário seguir a regras de como responder e enviar a resposta no post Saudações e Considerações Iniciais – Ensino Médio). – Prazo Máximo para envio: 06/03/2010 – 22:00. Entendo que essa pergunta é difícil e por isso ela valerá 0,2.

As cidadanias  “ativa” e  “passiva“.

Trabalhando com uma visão reducionista, podemos resumir a relação do povo com o seu governo (sociedade e Estado, respectivamente), de duas formas:

Neste esquema acima, quando olhamos para a seta que vai em direção ao Estado, estamos olhando uma relação onde o “controle” se dá pelo povo: democracia representativa ou participativa (cidadania ativa). No outro caso, quando a seta aponta para a sociedade, temos um controle que não se dá pelo povo, mas sim por uma pessoa ou um grupo de pessoas: regimes totalitários ou absolutistas (cidadania passiva). O rei Luis XIV (1643-1715), da França, fez a seguinte afirmação: “L’etat c’est moi”, ou seja, “O Estado sou eu”. Neste sentido, o rei se auto declarava senhor absoluto da França (controle do povo por um indivíduo).

No Brasil, essa relação – controle do povo por uma pessoa se deu, na teoria, até 1889. Neste ano, ocorre a proclamação da República. Entretanto, vários fenômenos surgiram e impossibilitavam a democracia no país. O primeiro foi a “República da Espada” (1889-1894), onde o controle da presidência passava pelas mãos de militares, algo semelhante a uma ditadura.  Um outro fenômeno, chamado “voto de cabestro”, dentre outros problemas, impossibilitava a plena democracia no país. Com os “currais eleitorais” (grupos de eleitores que eram obrigados a votar em um candidato específico pelo fazendeiro), a presidência do país se revezava entre os candidatos de dois estados ricos da época: Minas Gerais e São Paulo. Esse período é chamado de “República do Café-com-Leite” (1894-1930). Neste momento temos um novo golpe militar, para um governo provisório, com apoio popular.  Desde então, movimentos sociais começam a se fortalecer e a participar mais freqüentemente das iniciativas do Estado, possibilitando, assim uma democracia plena no país. Olhando a tebla das páginas 26-27, temos alguns movimentos por parte do povo e por parte do governo de 1917 a 1937. Neste período temos democracia e ditadura. O Brasil teve um século de república bastante conturbado, onde a educação passava a ser cada vez mais difundida para as classes mais pobres, mas mesmo assim, não possibilitavam uma estrtuturação da democracia como a entendemos hoje (citando, principalmente, os anos da ditadura militar na segunda matade do século XX).

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2º ano do EM – A diversidade cultural brasileira

20 de fevereiro de 2010 13 comentários

Olá pessoal,

Gostaria de compartilhar com vocês esse vídeo que possibilita pensar o que será trabalhado neste bimestre: a diversidade cultural brasileira:

Pessoas no video:
0:31 – Chico Buarque e Tom Jobim
0:40 – 2ª pessoa – Pixinguinha. As outra duas eu não sei.
0:45 – Sergio Buarque, pai do Chico.
0:53 – Jair Rodrigues, a esquerda.
0:56 – Jair e Nara Leão.
1:09 – Dorival Caimmy.
1:34 – Milton Nascimento, de roupa listrada.
2:01 – Caetano Veloso, de branco.
2:08 – Foto das filhas e da ex-mulher do Chico. Marieta Severo, ex-esposa do Chico, é a mesma que faz a Grande Família, na Globo, e fez a mãe do Cazuza no filme.
2:15 – Daniela Mercury
2:18 – Maria Bethania, irmã de Caetano Veloso.
2:20 – Lenine
2:27 – Toquinho

Nomes que aparecem na música (clique no nome para saber mais):

Antonio Brasileiro
Dorival Caymmi
Jackson do Pandeiro

Ari (Barroso)

Vinícius (de Morais)
Nelson Cavaquinho
Luiz Gonzaga
Pixinguinha
Noel (Rosa)
Cartola
Orestes (Barbosa)
Caetano (Veloso)
João Gilberto
Erasmo (Carlos)
(Jorge) Ben (Jor)
Roberto (Carlos)
(Gilberto) Gil
Hermeto (Pascoal)
Edu (Lobo)
Bituca
Nara (Leão)
Gal (Costa)
(Maria) Bethania
Rita (Lee)
Clara (Nunes)

Todos os artistas acima foram influências na música, temas de pesquisa e ainda inspiram grupos musicais ouvidos hoje, como os grupos de pagode. Um exemplo clássico é a influência do samba de Partido Alto, como Bezerra da Silva, tanto na influência de cantores como Zeca Bagodinho e Dudu Nobre como em grupos como Racionais Mc’s.

Diversidade social brasileira

Vamos olhar para essas três imagens

Vemos três realidades aqui. A primeira é uma das regiões da cidade de São Paulo mais ricas. A segunda, uma cidade tradicional e com “ares” de área rural. A terceira é uma das maiores favelas (que está se transformando em bairro) chamada Paraisópolis. Só para termos uma idéia da dimensão de Paraisópolis, ela tem cerca de 80 mil habitantes, quase a mesma quantidade que toda a cidade de Paulínia.

As favelas são um fenômeno socioeconômico de quase um século. Depois do fim da escravião, muitos ex-escravos foram para as regiões urbanas das cidades. Uma parcela montaram cortiços, e outra, subiram para os morros. Com a derrubada dos grandes casarões nos centros – principalmente na cidade do Rio de Janeiro, capital do país na época, para melhorias de urbanização e saneamento básico – os moradores destes cortiços fora estabelecer residências  nos morros.

…precursor das favelas, onde moram os excluídos, os humildes, todos aqueles que não se misturavam com a burguesia.” – O Cortiço,  Aluísio Azevedo.

A favela não é o único, mas um dos vários sinais de desigualdade social no Brasil. Para tentar resolver de forma paliativa o problema  para a cidade, já cogitou-se em pintar as favelas de verde, para, de longe, se misturarem à mata do morro.

Vamos olhar para o dado já trabalhado em sala, mas agora com valor absolutos, para vermos o tamanho dos problemas no Brasil.

No Brasil, dentre os vários problemas sociais, temos o analfabetismo. Para este caso, temos os seguintes valores:

  • Porcentagem de analfabetos no Brasil com 15 anos ou mais no ano de 1999 – 13,3%
  • Porcentagem de analfabetos no Brasil com 15 anos ou mais no ano de 1999 – Homens – 13,3%
  • Porcentagem de analfabetos no Brasil com 15 anos ou mais no ano de 1999 – Mulheres – 13,3%

Vamos entender estes dados (atentem-se aos valores corretos, já que para muitos de vocês eu passei valos aproximados):

Se não soubermos quantos brasileiros viviam no Brasil e faziam parte deste grupo, a informação é apenas um número sem valor. A quantidade de brasileiros com 15 anos ou mais eram de 119.590.490 habitantes. Logo, a quantidade de analfabetos (13,3%), era de 15.905.535 habitantes.

Aqui surge outro problema da tabela de onde estes dados foram colhidos. Havia a mesma quantidade de homens e mulhers no Brasil em 1999? A resposta é não. É fato concreto de que há menos homens do que mulheres.

Haviam no Brasil 83.602.316 homens e 86.270.539 mulheres no Brasil em 1999. Infelizmente não encontrei os dados de analfabetismo no site IBGE, mas trabalhando com os dados que já temos, é possível afirmar que cerca de 7.827.852 homens e 8.077.683 mulheres com 15 anos ou mais eram analfabetos no Brasil em 1999. Os problemas sociais afetam, no que se refere ao sexo/gênero, a todos, mas refletem-se mais nas mulheres.

Pergunta:

Aquilo que chamados de diversidade cultural e diversidade social estão intimamente ligados? Explique, baseando-se nas aulas. (A pergunta tem grande peso pessoal e vai valer 0,2. Por favor, não comecem com “sim” ou “não”. Entendam esta pegunta como um tema de redação).

Enviem a resposta até o dia 06/03/2010, às 22:00.

Categorias:2º ano do EM Tags: