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Archive for the ‘2º ano do EM’ Category

Textos do Caderno do Aluno em áudio

20 de março de 2015 Deixe um comentário

No ano de 2015, alguns textos dos Caderno do Aluno de 1º e 2º anos serão gravados em mp3. É possível ver no site e através de apps que administram podcasts (dica de app: Podkicker).

Link do site – http://www.podcastgarden.com/podcast/socializando

Nome do podcast para buscar nos administradores de podcast – Socializando

Aproveite e ouça os textos a qualquer momento baixando no celular.

 

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2º ano do EM – A NOÇÃO DE CULTURA E A IDEIA DE CULTURA DE MASSA

23 de maio de 2010 16 comentários

Toda cultura é transmitia pelos seres humanos através da linguagem. A linguagem é uma capacidade de muitas espécies de animais, principalmente os animais que vivem em grupos ou colônias. Porém, a semelhança com os seres humanos termina por aí.

Vamos pensar no caso das abelhas:

“As abelhas se organizam em grupos e possuem regras e atividades para cada um. Mas as abelhas de uma mesma espécie sempre se relacionam com o mesmo meio da mesma forma. Só ocorre uma alteração no seu comportamento devido alguma alteração no meio, mas caso isso não ocorra, elas simplesmente reproduzem o seu modo de vida. Desta forma pode-se dizer que elas se adaptam ao meio, ou a alterações do meio, mas não o transformam. Essa capacidade de transformar o próprio comportamento e a natureza é própria do homem.”

Podemos afirmar que dentre as abelhas existe uma organização de um grupo, como em uma sociedade, mas não podemos afirmar que elas possuem tradição ou cultura. A tradição é um fenômeno que compreende a transmissão e elaboração de valores que possibilitem uma distinção de um grupo em relação a qualquer outro da mesma espécie. Uma tradição é mais do que um conjunto de escolhas ou regras, pois até os animais seguem regras. Quando olhamos o ninho de um joão-de-barro, poderemos afirmar que todos os ninhos são iguais ao observado, porém, dada a variada cultura humana, não servirá de exemplo uma casa humana para generalizarmos toas as casas humanas.

O PAPEL DA LINGUAGEM NA TRANSMISSÃO CULTURAL E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM MASSA

Assim como foi dito no 1º bimestre do 1º ano do ensino médio, não existe cultura individual, pois só os grupos humanos podem formá-la. O homem, ao nascer, é um dos animais mais frágeis, havendo a necessidade de dar-lhe tudo durante os primeiros anos de vida, porém, ao contrário dos outros animais, o homem consegue desde cedo aprender várias coisas, como a cultura diferente da dos seus antepassados. Se um indivíduo nascido no Brasil for levado à China durante seus primeiros meses de vida e crescer no meio de uma família chinesa, a cultura que ele irá adquirir é a cultura que esta família o ensinar: ele não saberá o português e nem terá os mesmos hábitos e gostos que seus pais biológicos. Ao contrário, se um gato selvagem for criado entre nós, ele nunca agirá 100% como um gato doméstico, pois o comportamento selvagem é regido pelos instintos. No caso do homem, seu comportamento é regido pela cultura na qual ele está inserido, cultura esta transmitida pela linguagem.

A linguagem para o homem tem total importância para a constituição do que ele é. Através da linguagem em todas as suas formas, é possível transmitir símbolos e sinais. Quais seriam as formas de transmissão da cultura? Seriam estes: A família, os amigos, o trabalho, a vizinhança, a escola, o rádio, a televisão, a internet, os jornais, os livros, a musica, as obras de arte, entre outros.

CULTURA VERSUS CULTURA DE MASSA

Nós sabemos o que é cultura, mas, afinal, o que seria cultura de massa? Podemos usar um conceito recorrente na sociologia, de que “massa” seria um grande conjunto de pessoas, de variadas origens sociais e geográficas, porém, com normas de comportamento e valores que não se diferenciam entre si. Podemos ver o termo massa sendo usado para referir-se ao conjunto da população ou a algo referente àquilo que é popular. Em todo o caso, não se indica ais distinguir cultura de massa de cultura erudita, como se a segunda fosse acessada somente por um grupo de pessoas, como uma elite. A cultura é, em si, partilhada em diferentes segmentos que a compõe, formando uma grande e única cultura partilhada por todos, havendo somente um lugar próprio para cada segmento dentro da cultura partilhada pó todos.

Haveria ainda, a distinção da “cultura de massa” de “cultura para as massas”, pois o contato com uma determinada informação ou idéia será interpretado de maneira particular por cada segmento da sociedade. Quando um produto é lançado no mercado, isso não quer dizer que o mesmo será consumido em larga escala por todas as pessoas, independente de idade, gênero, ou grupo social. Vamos pensar em um produto comum hoje, o telefone:

“Hoje o telefone é um importante meio de comunicação. Ele sofisticou-se e virou o telefone celular. Milhões de equipamentos são fabricados e vendidos todos os anos, para os mais diferentes países. Além do mais, são cobiçados pelas pessoas, pois os mais novos modelos surgem dia-a-dia. Entretanto, sua história não foi sempre repleta de triunfos e aceitação. Quando ele surgiu, não foi bem-aceito em muitos lugares. Ao que parece, era visto por muitos como um intruso no espaço privado. Numa época marcada pela formalidade, onde era inconcebível que as pessoas se visitassem sem marcar com antecedência o encontro, este aparelho que toca sem hora marcada incomodou muitas pessoas. Para elas, ele invadia a privacidade. Afinal de contas, podia tocar nos momentos mais improváveis.

Como as casas abastadas quem atendia (a atende até hoje) a campainha são os empregados da casa, até o ato de levantar para atendê-lo não era bem visto pelas pessoas da elite, pois parecia um gesto servil. Logo, para que essa invenção se tornasse um meio de comunicação de massa aceito por todos, foram necessárias várias décadas.”

Pontos fundamentais desta aula:

  • A linguagem é uma característica em muitos animais, mas ela não tem obrigatoriamente relação com a cultura;
  • Cultura e tradição são transmitidas pela linguagem;
  • Tradição é um conjunto de valores de um grupo e que distingue um grupo em relação aos outros;
  • A linguagem pode ser: imagética, sonora e escrita;
  • Cultura de massa compreende características ou valores que são adquiridos por uma grande parcela da população, não sendo, necessariamente, a mais pobre;
  • Os valores ou características podem se tornar (ou deixarem de ser) culturas de massa, dependendo da forma com que as pessoas interagem com ela;
  • A cultura de massa pode ser acessada da mesma maneira por todos, mas cada grupo irá interpretá-la a sua maneira, podendo, assim, não adicioná-la a sua realidade, como, por exemplo, quando da criação do telefone.

Pergunta:

Explique a seguinte afirmação (5 linhas): “Por mais ‘padronizado’ que seja o produto de uma emissão, sua recepção não pode ser uniforme e depende muito das particularidades culturais de cada grupo, bem como a situação que cada grupo vive no momento da recepção.” CUCHE, Dennys, A noção de cultura nas ciências sociais, 2 ed. Bauru: Edusc, 2002. (Enviar resposta até o dia 30/05/2010, às 17:00).

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2º ano do EM – A formação da diversidade

3 de abril de 2010 12 comentários

Aculturação e Assimilação:

Além do conceito de Darcy Ribeiro sobre como se fundou a sociedade brasileira – através da miscigenação da “raça” branca (português), negra (povos africanos) e índio (nativos brasileiros) – outros autores ao olhar de outra maneira, menos “poética”, olham, além deste primeiro momento da miscigenação um tanto forçada na maior pare do tempo entre estes três grupos.

Outros grupos que fizeram parte da formação da sociedade brasileira vieram, principalmente, da Europa. Muitos países da Europa tiveram sua contribuição na imigração brasileira: Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Suíça, Holanda,Ucrânia. Além disso, tivemos a imigração chinesa, coreana, japonesa, estadunidense, boliviana, sírio-libanesa, e outras imigrações menos representativas. Em todo caso, cada um destes grupos possibilitaram mudanças na realidade cultural no Brasil desde o século XVI. É evidente, e não podemos descartar, que o Brasil como colônia tinha outras características que hoje já não são as mesmas, inclusive naquilo que ainda é muito forte: a religião. Os dogmas católicos já resultaram em punições severas para os tidos como hereges ou pagãos. Hoje, depois de séculos de iluminismo e liberalismo, os direitos individuais se fortaleceram, como o direito a vida.

Todos os povos, isolados ou não, possuem mudanças em sua cultura com o passar do tempo. No caso brasileiro, encontramos essas mudanças no idioma, na alimentação, no vestuário. Exemplo: Mandioca (Manioca – Tupi), Nhoque (Gnocchi – italiano), calça jeans (genes – italiano, mas difundido como jeans por Levis Strauss – estadunidense). Todas estas coisas, e outras mais fazem parte do nosso dia a dia e compõem nossa cultura. Um dos primeiros a estudar esse fenômeno foi John Wesley Powell, um geólogo estadunidense. Na segunda metade do século XIX, após ter estudado a cultura indígena do oeste dos EUA, Powell começou a estudar  fenômeno da imigração italiana para o país. Deste estudo, percebeu que as características de uma cultura podiam ser adquiridas pela outra à partir do contato, a modificando, independente do distanciamento ou discriminação que um grupo cultural possa ter em relação ao outro. A esta “troca” de características, Powell deu o nome de aculturação.

Outro fenômeno que se aproxima deste é outro, mais raro: a Assimilação. Neste fenômeno, um grupo cultural mais forte “absorve” o grupo cultural mais fraco. No Brasil, muitos dos imigrantes se casaram com brasileiros, ou os seus filhos, fazendo que muito do era uma cultura de povo, mas isolada em uma família, se “diluísse” em meio a sociedade brasileira, restando apenas algumas características do povo nos descendentes destes imigrantes. Outro ponto foi a destruição dos tupinambás: as mulheres eram capturadas e forçadas a viver com os portugueses que vieram morar no Brasil; os homens, ou eram escravizados, ou mortos em “guerras justas”. Os séculos que se seguiram desde a chegada das primeiras embarcações de Portugal, os tupinambás e outros grupos étnicos deixaram algumas de suas características – produtos alimentícios, técnicas de artesanato, armas – mas a grande etnia Tupi foi dizimada.

Estabelecidos e Outsiders:

Os termos estabelecido e outsider surgiram como demandas para estruturar um caso estudado por Norbert Elias. O autor analisou o caso de delinqüência em uma cidade inglesa que ele rebatizou de Winston Parva (o nome original não é citado no livro). Assim como muitos pensadores no campo das ciências sociais, Norbert Elias foi discriminado. O seu conceito – outsider – assim como o conceito de Georg Simmel – estrangeiro – podem ser usados para descrever essa discriminação destes dois autores e do antropólogo brasileiro Florestan Fernandes no meio acadêmico. Podemos traduzir, de maneira pobre, o termo outsider como o “de fora”, alguém que não faz parte do grupo. Por não corresponder ao conceito em inglês é que ele não é traduzido.

O estudo fazia, inicialmente, uma análise da taxa de delinqüência entre dois bairros, um mais antigo e um mais novo. Foi verificado nesta análise que a taxa de delinqüência juvenil no bairro mais novo era maior que o do mais velho, entretanto, antes do terceiro ano de pesquisa, Elis mudou o enfoque ao perceber que o problema principal não estava na delinqüência, tanto que após o terceiro ano a taxa diminuiu, equiparando-se as taxas dos dois bairros. Assim, Elias começou a estudar as relações de poder que ocorriam entre estes dois bairros, e como as pessoas do bairro mais antigo discriminavam as pessoas do bairro mais novo.

(…) o grupo estabelecido atribuía aos seus membros características humanas superiores; excluía todos os membros do outro grupo de contato social não profissional com seus próprios; e o tabu em torno desses contatos era mantido através de meios de controle social como a fofoca elogiosa no caso dos que o observavam, e a ameaça de fofocas depreciativas contra os suspeitos de transgressão (…)” (ELIAS, p. 20, 2000)

A relação se mantém assim: os estabelecidos se vêem como o grupo dos “melhores”, os “superiores”, enquanto este grupo vê o grupo dos outsiders como o grupo dos “inferiores”, um grupo que não teria o que Elias chama de “carisma grupal”, algo que os estabelecidos acreditam ter. Nessa relação entre os dois grupos, os estabelecidos mantêm um estigma sobre os outsiders. O estigma estaria ligado principalmente a falta daquele “carisma grupal”, pois o grupo menos coeso não compartilharia os valores do grupo mais coeso, o que caracterizaria uma desorganização deste primeiro grupo e, conseqüentemente, a perspectiva de que tal grupo não deveria ser bem visto. O estigma, ao contrário do preconceito, não se dá por cada indivíduo, mas sim pelo grupo todo.

No caso de Winston Parva, o que produzia a distinção entre os dois grupos era diferença de tempo dos bairros: O grupo dos estabelecidos já vivia há três gerações na região, enquanto os outsiders moravam em um loteamento recente. Essa estabilidade criada pelo tempo possibilitava uma maior coesão dentro do grupo dos estabelecidos, estruturadora de um poder, e este poder seria usado em prol do grupo como forma de manter-se o poder. Elias entendia que esta era apenas uma das várias justificativas para o poder que os estabelecidos poderiam ter. As outras justificativas de poder de um grupo poderiam se constituir na cor, religião, etnia, nacionalidade, ou outras formas de reconhecimento de pertencimento de um grupo mais coeso, operando em contraposição a um grupo de coesão mais fraca ou inexistente (religião com maior poder x religião com menor poder, etnia com maior poder x etnia com menor poder, etc.). Essa presença de organização de grupo mai coeso é que o possibilita a manutenção do poder dentro deste grupo, contanto que o outro grupo se mantenha sem coesão ou com coesão mais fraca do que o grupo mais coeso. Esta coesão não é um simples caso dela existir ou não. A existência de uma coesão, em qualquer grupo estabelecido, se constitui através da aceitação das regras do grupo por todos os seus membros. Em Winston Parva, o resultado desse poder e coesão dentre os estabelecidos mantinha um controle em cargos públicos de eleição direta da população local, como cargos em conselhos, principalmente, os quais os outsiders não conseguiam obter pela falta de coesão da população do novo loteamento.

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2º ano do EM – O estrangeiro sob o ponto de vista sociológico

7 de março de 2010 6 comentários

Se alguém faz uma análise mais aprofundada sobre si próprio, perceberá que não é uma pessoa deslocada de seu tempo, assim como não é deslocada de suas origens. Para muitos, a origem de seus antepassados é totalmente brasileira, mas para outros, ela se dá através da mudança de familiares para cá como imgrantes.

No século XIX começaram a chegar muitos imigrantes, principalmente da Europa, para substituirem os escravos na lavouras, por causa do fim do tráfico negreiro. Outros motivos foram: os donos de fazendas não queriam pagar salários para ex-escravos e havia uma política que buscava o clareamento da população.  De italianos, ao contrário do que eu disse para algumas turmas, chegaram ao Brasil aproximadamente 1,5 milhão de italianos.  Destes vários imigrantes – onde se enquadram também os alemães, poloneses, ucranianos, japoneses, chineses, espanhóis, sirio-libaneses, armênios, coreanos – alguns se espalharam co suas famílias e outros se organizaram em colonias ou vilas. Os grupos que se mantiveram unidos até hoje conseguiram resguardar a cultura de seus antepassados, ao contrário de outros indivíduos que simplesmente se misturaram ao resot da população brasileira. Assim, encontramos colônias japonesas espalhadas pelo Brasil, assim como bairros com grupos de descendentes de grupos de imigrantes predominantes ou até cidades fundadas por grupos de imigrantes, como por exemplo: as cidades de Americana e Holambra (de origem estadunidense e holandesa, respectivamente), e os bairros da Moóca, do Bexiga e da Liberdade, na cidade de São Paulo (sendo os dois primeiros de origem italiana e o outro de origem japonesa). Nestes lugares, a cultura pode ser vista nos estabelecimetos comerciais, no dialeto e nas festas tradicionais.

O que ainda é muito visível, independente de onde se esteja, é o caso do fenômeno dos dekasseguis – com um grande aumento na quantidade de descendentes de japoneses que vão para o Japão trabalhar – e, ainda sobre os nisseis e sanseis, o fato de muitos andarem em grupos formados por outros descendentes de japoneses. Isto se dá pela força da cultura que faz com que os seus pais sejam muito rígidos na formação dos filhos, até mesmo sobre os seus relacionamentos.

Uma curiosidade: O “Moinho de Holambra” funciona como os moinhos holandeses, não sendo meramente um enfeite.

O estrangeiro sob a ótica de Georg Simmel

Temos na toeria de Georg Simmel uma distinção entre o vinajante e o estrangeiro. Mesmo usando corriqueiramente estrangeiro como todo e qualquer indivíduo que não seja do país do qual estamos olhando. Neste caso, Simmel estabelece aqueles que viajam, mas não se estabelecem (viajantes), e os que viajam para se estabelecer no local de destino (estrangeiro). Assim, não é necessário que essa pessoa tenha vindo de outro país, mas sim de qualquer lugar, longe ou perto do local de destino. O estrangeiro se destaca dos outros integrantes do local de destino por suas particularidades: cultural, idioma, características físicas. Por estes mesmos motivos, ele nunca se insere totalmente no grupo, às vezes, nem os seus descendentes. A relação que se dá entre os estrangeiros e os habitantes locais sempre se configura na relação de amizade entre aluns membros deste grupo, mas de um distanciamento e desprezo, por ambas as partes, quando se olha a relação com o grupo por suas diferenças.

Daí surge a pergunta: Por que o indivíduo imigra?

Como afirmam os textos das páginas 21-22 e 23, um primeiro movimento é o da impossibilidade dos imigrantes, dando destaque para aqueles que vieram para o Brasil, de se manterem nas suas terras pelos custos de produção e de impostos; por não conseguirem pagar suas dívidas contraídas; não poderem sustentar suas famílias em suas terras e; por não conseguirem comprar uma porção de terra quando buscava constituir família. O segundo movimento ocorre nas cidades: Aqueles que saem do campo aumentam vertiginosamente o quadro de mão-de-obra na indústria, que não consegue ser absorvido ou passa a ter que aceitar subempregos para poderem sobreviver. O terceiro e último movimento é a sedução que muitos passaram a receber com propagandas sobre fazer a vida na América: Muitos acreditavam que na América teriam a possibilidade de terem terras, fazerem fortuna com pouco trabalho, ou ao menos fazerem fortuna.

Depois que o fenômeno imigratório cessou, os imigrantes tiveram inúmeros resultados para não voltarem, mesmo depois da estabilidade econômica na Europa e Japão, pós 1960:

  • Muitos não conseguiram enriquecer como as propagandas afirmavam. Mantinha-se a intenção de “fazer a América”;
  • Outros, ao contrário, enriqueceram ou se estabeleceram muito bem no país, não havendo motivos para volatrem para seus países de origem, correndo risco de ficarem pobres de novo;
  • Um outro grupo se estabeleceu no país, casando-se  aqui e constituindo família, além de perderem o contato com seus parentes de sua terra natal;
  • E havia o grupo de imigrantes que, ou achavam que o Brasil era um país melhor que o seu próprio; ou achavam que o seu país era muito ruim e, mesmo achando que o Brasil não era ótimo, ainda era melhor que a pátria mãe.
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2º ano do EM – A diversidade cultural brasileira

20 de fevereiro de 2010 13 comentários

Olá pessoal,

Gostaria de compartilhar com vocês esse vídeo que possibilita pensar o que será trabalhado neste bimestre: a diversidade cultural brasileira:

Pessoas no video:
0:31 – Chico Buarque e Tom Jobim
0:40 – 2ª pessoa – Pixinguinha. As outra duas eu não sei.
0:45 – Sergio Buarque, pai do Chico.
0:53 – Jair Rodrigues, a esquerda.
0:56 – Jair e Nara Leão.
1:09 – Dorival Caimmy.
1:34 – Milton Nascimento, de roupa listrada.
2:01 – Caetano Veloso, de branco.
2:08 – Foto das filhas e da ex-mulher do Chico. Marieta Severo, ex-esposa do Chico, é a mesma que faz a Grande Família, na Globo, e fez a mãe do Cazuza no filme.
2:15 – Daniela Mercury
2:18 – Maria Bethania, irmã de Caetano Veloso.
2:20 – Lenine
2:27 – Toquinho

Nomes que aparecem na música (clique no nome para saber mais):

Antonio Brasileiro
Dorival Caymmi
Jackson do Pandeiro

Ari (Barroso)

Vinícius (de Morais)
Nelson Cavaquinho
Luiz Gonzaga
Pixinguinha
Noel (Rosa)
Cartola
Orestes (Barbosa)
Caetano (Veloso)
João Gilberto
Erasmo (Carlos)
(Jorge) Ben (Jor)
Roberto (Carlos)
(Gilberto) Gil
Hermeto (Pascoal)
Edu (Lobo)
Bituca
Nara (Leão)
Gal (Costa)
(Maria) Bethania
Rita (Lee)
Clara (Nunes)

Todos os artistas acima foram influências na música, temas de pesquisa e ainda inspiram grupos musicais ouvidos hoje, como os grupos de pagode. Um exemplo clássico é a influência do samba de Partido Alto, como Bezerra da Silva, tanto na influência de cantores como Zeca Bagodinho e Dudu Nobre como em grupos como Racionais Mc’s.

Diversidade social brasileira

Vamos olhar para essas três imagens

Vemos três realidades aqui. A primeira é uma das regiões da cidade de São Paulo mais ricas. A segunda, uma cidade tradicional e com “ares” de área rural. A terceira é uma das maiores favelas (que está se transformando em bairro) chamada Paraisópolis. Só para termos uma idéia da dimensão de Paraisópolis, ela tem cerca de 80 mil habitantes, quase a mesma quantidade que toda a cidade de Paulínia.

As favelas são um fenômeno socioeconômico de quase um século. Depois do fim da escravião, muitos ex-escravos foram para as regiões urbanas das cidades. Uma parcela montaram cortiços, e outra, subiram para os morros. Com a derrubada dos grandes casarões nos centros – principalmente na cidade do Rio de Janeiro, capital do país na época, para melhorias de urbanização e saneamento básico – os moradores destes cortiços fora estabelecer residências  nos morros.

…precursor das favelas, onde moram os excluídos, os humildes, todos aqueles que não se misturavam com a burguesia.” – O Cortiço,  Aluísio Azevedo.

A favela não é o único, mas um dos vários sinais de desigualdade social no Brasil. Para tentar resolver de forma paliativa o problema  para a cidade, já cogitou-se em pintar as favelas de verde, para, de longe, se misturarem à mata do morro.

Vamos olhar para o dado já trabalhado em sala, mas agora com valor absolutos, para vermos o tamanho dos problemas no Brasil.

No Brasil, dentre os vários problemas sociais, temos o analfabetismo. Para este caso, temos os seguintes valores:

  • Porcentagem de analfabetos no Brasil com 15 anos ou mais no ano de 1999 – 13,3%
  • Porcentagem de analfabetos no Brasil com 15 anos ou mais no ano de 1999 – Homens – 13,3%
  • Porcentagem de analfabetos no Brasil com 15 anos ou mais no ano de 1999 – Mulheres – 13,3%

Vamos entender estes dados (atentem-se aos valores corretos, já que para muitos de vocês eu passei valos aproximados):

Se não soubermos quantos brasileiros viviam no Brasil e faziam parte deste grupo, a informação é apenas um número sem valor. A quantidade de brasileiros com 15 anos ou mais eram de 119.590.490 habitantes. Logo, a quantidade de analfabetos (13,3%), era de 15.905.535 habitantes.

Aqui surge outro problema da tabela de onde estes dados foram colhidos. Havia a mesma quantidade de homens e mulhers no Brasil em 1999? A resposta é não. É fato concreto de que há menos homens do que mulheres.

Haviam no Brasil 83.602.316 homens e 86.270.539 mulheres no Brasil em 1999. Infelizmente não encontrei os dados de analfabetismo no site IBGE, mas trabalhando com os dados que já temos, é possível afirmar que cerca de 7.827.852 homens e 8.077.683 mulheres com 15 anos ou mais eram analfabetos no Brasil em 1999. Os problemas sociais afetam, no que se refere ao sexo/gênero, a todos, mas refletem-se mais nas mulheres.

Pergunta:

Aquilo que chamados de diversidade cultural e diversidade social estão intimamente ligados? Explique, baseando-se nas aulas. (A pergunta tem grande peso pessoal e vai valer 0,2. Por favor, não comecem com “sim” ou “não”. Entendam esta pegunta como um tema de redação).

Enviem a resposta até o dia 06/03/2010, às 22:00.

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