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1º ano do EM – A socialização

No 1º bimestre, na aula intitulada “O homem é um ser social”, ficamos sabendo que, o homem, tal como o conhecemos, só se estabelece como homem quando vive juntos aos seus pares. Veremos agora outro ponto fundamental: O homem é um ser “histórico”. A história humana pode se estabelecer em dois planos fundamentais: sua história particular e a história do grupo no qual ele está inserido. Vamos refletir acerca das perguntas do Caderno do Aluno, pg. 3:

Todos nós somos capazes, ou ao menos deveríamos ser, de percebermos como nos relacionamos com os outros, seja pela nossa vivência no mesmo bairro ou cidade, pela língua, ou até pelos momentos históricos que já vivenciamos desde o dia do nosso nascimento. Nas últimas 2 décadas, o Brasil ganhou duas copas mundiais de futebol, já tivemos duas moedas (cruzeiro real e o real), o mundo já passou pelo fim da União Soviética, pela guerra do Kosovo, do Afeganistão, do Golfo Pérsico, e hoje passa pela guerra do Iraque. Um dos fatos mais relevantes é o que ocorreu em 11 de setembro de 2001: Com a derrubada as torres do World Trade Center, em Nova Iorque, nos EUA, o mundo passou a olhar de maneira preocupada para o crescimento do extremismo religioso. Mas além desses grandes fatos, quais outros, particulares, estão relacionados com nossas vidas?

Quanto aos vídeos: O vídeo sobre o a Guerra do Golfo e sobre o atentado de 11 de setembro falam dos presidentes “George Bush”. Na Guerra do Golfo, o presidente era George Herbert Walker Bush (Bush Senior). Na época do atentado, o presidente era George Walker Bush (Bush Junior).

QUEM SOMO NÓS?

Lembrar o que aconteceu desde o dia do nascimento até o momento presente (perguntando aos nosso país, tios, irmãos mais velhos) possibilita pensar também deste momento para além: Estamos inseridos na história e, se quisermos, podemos ajudar a construí-la de forma ativa.

Os fatos mais comuns que ocorrem em nossas vidas, pensando na juventude, seriam: mudança de residência, de bairro, de cidade, de estado; mudança de da pré-escola para a escola ou mudança de escola por ter que se mudar de cidade. Estas mudanças são marcantes em qualquer fase da vida pelos amigos que deixamos e a necessidade de conquistarmos novos. Todas essas coisas são parte de nossa história. No aspecto educação, podemos ampliar nossa perspectiva, pensando por que nos estudamos. As três respostas mais recorrentes são: porque é necessário para ter um bom emprego; porque é importante ter conhecimento para a vida e; porque é obrigatório. A terceira resposta é a mais perigosa, pois carrega em si a incapacidade de entender qual a importância, como pessoa e profissional, que tem o conhecimento que se pode adquirir através da educação, mesmo porque, além de uma imposição, a educação é, como direito universal, muito recente, negado há várias gerações.

Tomando com base o texto de CHAMOUX (2003), pgs 4-5 do Caderno do Aluno, podemos ver uma situação recorrente até hoje: o ensino privado. Uma educação que, no caso dos atenienses, era direcionada apenas para os filhos dos cidadãos, sendo vetado às meninas, servos e estrangeiros. No caso brasileiro, a educação universal pública é recente, tendo um maior impulso após 1980 e ainda apresentando grande déficit de vagas aos alunos na faixa de 0-4 anos e nas séries do ensino médio. Antes disso, as pessoas mais pobres buscavam frequentemente bolsas de estudo em colégios particulares, o que mostrava a falta de vagas para todas as crianças, produzindo uma grande taxa de analfabetos no Brasil.

O QUE APRENDEMOS

Nosso desenvolvimento intelectual, assim como nós, se dá através do tempo. Pensando na nossa infância, podemos nos recordar de algumas pessoas que foram muito importantes quando ainda nem tínhamos entrado para escola: pais, tios, irmãos mais velhos, vizinhos, avós, etc. Nesse momento, algumas dessas pessoas, se não todas, auxiliaram nos nossos primeiros passos, primeiras palavras, primeiras brincadeiras. Algumas brincadeiras, às vezes, são aprendidas também com amigos da mesma idade. Na infância, muitas das conquistas são simples, mas essenciais para o nosso desenvolvimento: a fala, a coordenação motora, a participação em grupos. Por mais que algumas coisas, como estas ou as brincadeiras, tenham parecido sair da imaginação ou criadas naturalmente, todas elas se dão através da reprodução, em parte ou no todo, de brincadeiras ou ações já conhecidas por nós. Alguns exemplos são: as brincadeiras de boneca, de “polícia e ladrão”, futebol, entre outras. As regras dessas brincadeiras são deliberadas pelo grupo, e as interpretações são reproduzidas da experiência de cada um. No caso da brincadeira “polícia e ladrão”, após o lançamento do filme “Tropa de Elite”, começou a haver crianças tentando ser o policial do BOPE, e não um policial convencional, assim como ocorrer com a “pedalada”, inventada pelo jogador Robinho, que não era usada nas partidas de futebol porque não se conhecia a técnica.

Aprender a linguagem, as formas e regras de convivência, constitui o que denominamos Socialização, que é o processo passado, fase por fase, por todos. Essa Socialização seria a imersão de cada um em um “mundo vivido”, constituído de um “universo simbólico e cultural” e um “saber sobre este mundo”. A criança nasce sem essa Socialização, que será adquirida aos poucos e possibilitará que essa criança se insira como membro da sociedade.

Para o início da Socialização, os adultos serão muito importantes, pois formarão o que se denomina “aprendizado da socialização primária”: aprender a tomar banho, a se vestir sozinha, executar tarefas domésticas, reproduções daquilo que a crianças vêem ou ouvem das pessoas mais velhas, como os próprios pais. Esse aprendizado normalmente se dá entre os 0-5 anos de idade, mas pode variar de acordo com a própria pessoa, pois ela precisa entender que faz parte de um mundo muito maior do que aquele formado pelas pessoas que fazem parte do seu meio familiar para sair desse aprendizado e passar para o próximo estágio.

COMO PENSAMOS

A Socialização nunca termina. No próximo estágio a criança começa a participar de uma esfera de socialização muito mais ampla, na qual se insere normalmente o espaço escolar. Este espaço pode ter maior impacto se acriança não teve contato anterior com a pré-escola e menor se ela já teve, e ambos se diferem do ambiente familiar no qual a criança já estava acostumada, pois agora esta criança entrará em contato com novos colegas, com professores, com atividades pedagógicas, além de muitos conflitos que ela pode não ter sido preparada.

A mudança pelo contato com o ambiente escolar será um dos muitos possíveis, possibilitando inúmeras modificações em nossa vida. Outros casos – como o nascimento ou a morte de parentes, casamentos ou divórcios, viagens ou mudanças de residência -, também modificam nossa vida ainda no ambiente familiar. O passar do tempo cria novos desejos, novas idéias, que se complementam ou substituem as antigas: brincadeiras que não tem mais graça, novas amizades, vontade de se vesti diferente, de ouvir músicas diferentes. Esses outros contatos com novos espaços de Socialização modificam as características que adquirimos com nossos familiares, às vezes modificando as relações que já tínhamos com a nossa família. Esse processo chama-se “Socialização secundária”, que passamos muitas vezes na vida, na medida que entramos em contato com novos espaços interagimos com novos conhecimentos para lidarmos com essas novas realidades, que podem ou não entrar em conflito com a aprendizagem que adquirimos anteriormente, trazendo durante a vida, experiências positivas ou negativas.

Pontos fundamentais desta aula:

  • O homem só se constitui com tal se ele vive entre outros homens;
  • O homem é um ser que está relacionado diretamente a história, seja a sua própria ou a do grupo que está inserido;
  • A história do nosso grupo também nos afeta e à nossa história particular;
  • A realidade na qual estamos inseridos também é historicamente construída, vide o fato de que a educação não foi sempre um direito, principalmente para as mulheres;
  • Nossas capacidades como pessoas são aprendidas ao longo da nossa vida, sendo que os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento dos anos seguintes;
  • Os adultos, indivíduos que já passaram pelo processo de Socialização primário, são os responsáveis por nos inserir neste mesmo processo quando somos crianças;
  • A Socialização é um processo que se inicia, mas nunca termina;
  • As experiências no vários espaços de socialização podem ser conflitantes durante a vida, e modificam nossa forma de ver a realidade.

Pergunta:

Explique a seguinte afirmação (5 linhas): “A socialização primária é a primeira socialização que o indivíduo experimenta na infância, e em virtude da qual torna-se membro da sociedade.” BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas,  A construção social da realidade, Petrópolis: Vozes, 2008, p. 175. (Enviar resposta até o dia 29/05/2010, às 22:00).

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Categorias:1º ano do EM Tags:
  1. Nilaine
    20 de maio de 2010 às 19:17

    Professor preciso saber seu email para poder enviar a resposta da pergunta…
    Obrigada!
    1°D

  2. erica dos santos
    25 de maio de 2010 às 15:02

    Uma pessoa se torna membro de uma sociedade quando ela participa de uma,ou seja,
    quando esta entre uma sociedade e não convive com ela essa pessoa não é um homem,é um ser que não tem importancia.
    Quando uma pessoa está dentro de uma comunidade e tem um grupo que participa,ou seja,uma familia,ela é uma pessoa que se torna membro dessa comunidade.

  3. alana lima lopes
    25 de maio de 2010 às 20:30

    Prof, no trabalho que vc deu no primeiro F eu tenho uma duvida, se pode ser uma pesquisa uo uma entrevista

    • 25 de maio de 2010 às 20:40

      Olá Alana,

      Na verdade são ambos: A primeira parte começa com a entrevista. O grupo selecionará uma pessoa para entrevistar sobre a vida dela. À partir da entrevista, o grupo encontrará três momentos da vida da pessoa para analisar, fazendo relação com o momento histórico do fato ocorrido. A pesquisa se dará baseando-se na história da pessoa, pois é necessário verificar mediante pesquisa a relação que se estabelece entre o fato da vida da pessoa entrevistada e a história.

      Prof Leandro

  4. Thainá Ramos
    1 de junho de 2010 às 16:29

    Prof Leandro
    Queria saber se pode fazer o trabalho em dupla?
    Obrigada
    Thainá

    • 1 de junho de 2010 às 17:43

      Thainá,

      O trabalho foi elaborado pensando em sua complexidade e na demanda de alunos empenhados no mesmo projeto. Pela complexidade do trabalho, estabeleci 4 ou 5, ou seja, não é um trabalho que 2 alunos sozinhos conseguiriam fazer. Você pode até tentar, mas o critério de avaliação será o mesmo dos grupos com 4 ou 5 pessoas.

      Prof. Leandro

  5. thainá
    8 de junho de 2010 às 16:23

    obrigada prof

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