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2º ano do EM – A formação da diversidade

Aculturação e Assimilação:

Além do conceito de Darcy Ribeiro sobre como se fundou a sociedade brasileira – através da miscigenação da “raça” branca (português), negra (povos africanos) e índio (nativos brasileiros) – outros autores ao olhar de outra maneira, menos “poética”, olham, além deste primeiro momento da miscigenação um tanto forçada na maior pare do tempo entre estes três grupos.

Outros grupos que fizeram parte da formação da sociedade brasileira vieram, principalmente, da Europa. Muitos países da Europa tiveram sua contribuição na imigração brasileira: Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Suíça, Holanda,Ucrânia. Além disso, tivemos a imigração chinesa, coreana, japonesa, estadunidense, boliviana, sírio-libanesa, e outras imigrações menos representativas. Em todo caso, cada um destes grupos possibilitaram mudanças na realidade cultural no Brasil desde o século XVI. É evidente, e não podemos descartar, que o Brasil como colônia tinha outras características que hoje já não são as mesmas, inclusive naquilo que ainda é muito forte: a religião. Os dogmas católicos já resultaram em punições severas para os tidos como hereges ou pagãos. Hoje, depois de séculos de iluminismo e liberalismo, os direitos individuais se fortaleceram, como o direito a vida.

Todos os povos, isolados ou não, possuem mudanças em sua cultura com o passar do tempo. No caso brasileiro, encontramos essas mudanças no idioma, na alimentação, no vestuário. Exemplo: Mandioca (Manioca – Tupi), Nhoque (Gnocchi – italiano), calça jeans (genes – italiano, mas difundido como jeans por Levis Strauss – estadunidense). Todas estas coisas, e outras mais fazem parte do nosso dia a dia e compõem nossa cultura. Um dos primeiros a estudar esse fenômeno foi John Wesley Powell, um geólogo estadunidense. Na segunda metade do século XIX, após ter estudado a cultura indígena do oeste dos EUA, Powell começou a estudar  fenômeno da imigração italiana para o país. Deste estudo, percebeu que as características de uma cultura podiam ser adquiridas pela outra à partir do contato, a modificando, independente do distanciamento ou discriminação que um grupo cultural possa ter em relação ao outro. A esta “troca” de características, Powell deu o nome de aculturação.

Outro fenômeno que se aproxima deste é outro, mais raro: a Assimilação. Neste fenômeno, um grupo cultural mais forte “absorve” o grupo cultural mais fraco. No Brasil, muitos dos imigrantes se casaram com brasileiros, ou os seus filhos, fazendo que muito do era uma cultura de povo, mas isolada em uma família, se “diluísse” em meio a sociedade brasileira, restando apenas algumas características do povo nos descendentes destes imigrantes. Outro ponto foi a destruição dos tupinambás: as mulheres eram capturadas e forçadas a viver com os portugueses que vieram morar no Brasil; os homens, ou eram escravizados, ou mortos em “guerras justas”. Os séculos que se seguiram desde a chegada das primeiras embarcações de Portugal, os tupinambás e outros grupos étnicos deixaram algumas de suas características – produtos alimentícios, técnicas de artesanato, armas – mas a grande etnia Tupi foi dizimada.

Estabelecidos e Outsiders:

Os termos estabelecido e outsider surgiram como demandas para estruturar um caso estudado por Norbert Elias. O autor analisou o caso de delinqüência em uma cidade inglesa que ele rebatizou de Winston Parva (o nome original não é citado no livro). Assim como muitos pensadores no campo das ciências sociais, Norbert Elias foi discriminado. O seu conceito – outsider – assim como o conceito de Georg Simmel – estrangeiro – podem ser usados para descrever essa discriminação destes dois autores e do antropólogo brasileiro Florestan Fernandes no meio acadêmico. Podemos traduzir, de maneira pobre, o termo outsider como o “de fora”, alguém que não faz parte do grupo. Por não corresponder ao conceito em inglês é que ele não é traduzido.

O estudo fazia, inicialmente, uma análise da taxa de delinqüência entre dois bairros, um mais antigo e um mais novo. Foi verificado nesta análise que a taxa de delinqüência juvenil no bairro mais novo era maior que o do mais velho, entretanto, antes do terceiro ano de pesquisa, Elis mudou o enfoque ao perceber que o problema principal não estava na delinqüência, tanto que após o terceiro ano a taxa diminuiu, equiparando-se as taxas dos dois bairros. Assim, Elias começou a estudar as relações de poder que ocorriam entre estes dois bairros, e como as pessoas do bairro mais antigo discriminavam as pessoas do bairro mais novo.

(…) o grupo estabelecido atribuía aos seus membros características humanas superiores; excluía todos os membros do outro grupo de contato social não profissional com seus próprios; e o tabu em torno desses contatos era mantido através de meios de controle social como a fofoca elogiosa no caso dos que o observavam, e a ameaça de fofocas depreciativas contra os suspeitos de transgressão (…)” (ELIAS, p. 20, 2000)

A relação se mantém assim: os estabelecidos se vêem como o grupo dos “melhores”, os “superiores”, enquanto este grupo vê o grupo dos outsiders como o grupo dos “inferiores”, um grupo que não teria o que Elias chama de “carisma grupal”, algo que os estabelecidos acreditam ter. Nessa relação entre os dois grupos, os estabelecidos mantêm um estigma sobre os outsiders. O estigma estaria ligado principalmente a falta daquele “carisma grupal”, pois o grupo menos coeso não compartilharia os valores do grupo mais coeso, o que caracterizaria uma desorganização deste primeiro grupo e, conseqüentemente, a perspectiva de que tal grupo não deveria ser bem visto. O estigma, ao contrário do preconceito, não se dá por cada indivíduo, mas sim pelo grupo todo.

No caso de Winston Parva, o que produzia a distinção entre os dois grupos era diferença de tempo dos bairros: O grupo dos estabelecidos já vivia há três gerações na região, enquanto os outsiders moravam em um loteamento recente. Essa estabilidade criada pelo tempo possibilitava uma maior coesão dentro do grupo dos estabelecidos, estruturadora de um poder, e este poder seria usado em prol do grupo como forma de manter-se o poder. Elias entendia que esta era apenas uma das várias justificativas para o poder que os estabelecidos poderiam ter. As outras justificativas de poder de um grupo poderiam se constituir na cor, religião, etnia, nacionalidade, ou outras formas de reconhecimento de pertencimento de um grupo mais coeso, operando em contraposição a um grupo de coesão mais fraca ou inexistente (religião com maior poder x religião com menor poder, etnia com maior poder x etnia com menor poder, etc.). Essa presença de organização de grupo mai coeso é que o possibilita a manutenção do poder dentro deste grupo, contanto que o outro grupo se mantenha sem coesão ou com coesão mais fraca do que o grupo mais coeso. Esta coesão não é um simples caso dela existir ou não. A existência de uma coesão, em qualquer grupo estabelecido, se constitui através da aceitação das regras do grupo por todos os seus membros. Em Winston Parva, o resultado desse poder e coesão dentre os estabelecidos mantinha um controle em cargos públicos de eleição direta da população local, como cargos em conselhos, principalmente, os quais os outsiders não conseguiam obter pela falta de coesão da população do novo loteamento.

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Categorias2º ano do EM Tags:
  1. Jessica
    9 de maio de 2010 às 14:06

    Precisa ser um pouco mais objetivo!

    • 9 de maio de 2010 às 14:11

      Eu digo o mesmo: você precisa ser mais objetiva, no caso, sobre o que você quis dizer com isso.

  2. Claudete Mendes
    25 de abril de 2011 às 20:32

    Perfeito !
    Esse assunto foi muito esclarecedor
    Algumas dúvidas que ainda pairavam no ar,
    foram tiradas. O texto é de fácil entendimento.
    Parabéns.

  3. kaique
    26 de fevereiro de 2012 às 14:29

    Bom texto adorei me esplica muita coisa

  4. junior-bo
    4 de junho de 2012 às 15:10

    muito bom, fácil entendimento para quem se relaciona com uma boa leitura!

  5. Geovana Moretti
    13 de março de 2013 às 17:12

    o texto tinha que ser mais resumido e ser mais objetivo

    • 13 de março de 2013 às 17:57

      Você pode procurar algum canal do youtube se existe algum video sobre o assunto. Isso ajuda a quem tem dificuldades de leitura.

  6. mikaella santos
    4 de abril de 2013 às 15:28

    o texto explica varias coisas sobre nos

  7. wesley
    9 de setembro de 2013 às 14:36

    muito bom, atravez disso irei fazer minhas dependências da matéria sobre o conteúdo e terei ótimas notas

  8. 3 de fevereiro de 2014 às 8:55

    EU GOSTARIA QUE FOSSE ATUALIZADOS POIS, ESSES RESUMOS SÃO DE 2010.

    • 3 de fevereiro de 2014 às 11:30

      Olá,

      Seria interessante atualizá-los. Contudo, eu pergunto: Por quê? O caderno do aluno muda de capa e de design, mas os dados ainda são de 1999. Não faz sentido atualizar esses conteúdos porque nem mesmo a Secretaria de Educação os atualiza. Além do mais, esse blog não tem todo conteúdo do ano, pois deixei de escrever quando meus alunos demonstraram total desinteresse.

      Atenciosamente

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